26 de mar. de 2011

ontem eu sabia


tem uma coisa comigo

que roubaram por aí

a palavra mal dita pra virar uma cor

tem o silêncio que não grita

mas berra como uma flor

e as coisas continuam bem problemáticas pra quebrar as éticas

e tudo isso em um segundo não deu pra respirar.

foi-se um tempo feliz pra agora começar um outro...

22 de fev. de 2011

a palavra nunca foi dita

aumenta a alma
põe grãos no paraíso
isso qualquer coisa
ouça o final do túnel
do neo liberal
mas nem tanto
um espamo pra sacudir
o que dirão os outros
que não estiveram presentes
a gente sempre sente
um pequeno momento
fermento do final
mais groselha na veia
eia pra não emperrar
rá, ré e o riso
o isqueiro já acabou
um monte de coisas emperram
sempre no mesmo erro
e a noite como mais uma criança grande
andar... jogos de dardo
da droga um gracejo
seja assim

19 de jan. de 2011

NADA

Eu quero

Dar uma porrada

No mundo.

Dizer que ele existe,

Enquanto

Eu durmo

17 de jan. de 2011

a definição é uma das poucas coisas que sabemos

Está tudo muito mudado
O rosto não aparece mais
O resto bem esquisito
um séquito no momento
e eu não sei aonde vai parar
Dar um pum e sumir
da existência
pôr um ponto final
pra que as coisas andem
Sempre uma segunda até a sexta sempre pronta
afinal de contas
ainda somos tontos
E se acabar mal
conserva-me
Sirva-se do bom amigo
e até quando...

16 de jan. de 2011

algumas palavras

porque estamos perdidos hoje
não é que vamos nos encontrar amanhã
o dia é assim, um fôlego da verdade que ainda nos basta
bosta também é a sujeira da vida
que nos impõe certas loucuras
sobrevivemos à tortura, não sei...
só sei que ela começou.

31 de dez. de 2010

MORDAZ

Aí, perdemos a arte e as cores

Gritamos azuis e ares de diferentes coisas

Oramos às tardes e vestimos o dia

Andamos nas paredes dos astrais
entre raízes e vozes

Comentando o borrado verso
dos sem motores

23 de dez. de 2010

tanto quanto



pra onde vai a volta

tudo no verbo, errado?

eu não sei o dia

se amanhã uma chuva

outras outras

e o significado

pra um bocado de gente...

19 de dez. de 2010

lho

cara doce e apetitosa
de chocolate dark e vermelho caliente
de repente a idade, sem maldade nem importa
e de perto, charme
chama interessante vive e tem pra dizer
coisas futuras de cara corada
em lugares demais
bem noite boa e sempre madrugada
de bons dias eu quero

13 de dez. de 2010

o beijo na boca

mais uma vez nós, perdidos no paraíso
esquizofrênicos esmagados num tempo mais ilícito
eu peço o encontro brutal do chão
o grito niquelado em mudanças
os bravos olhando por cima
os velhos não entendendo nada
as crianças chorando
um grito emudecido no ar vermelho
o beijo encravado na garganta
a fome mastigando a hipocrisia
a heresia rolando solta
e os gritos de uma rebelião
os pedaços da roupa virando farda
a máscara ironizando o perdão
a vitrine quebrada com um tiro
os esgostos pegando fogo
o blecaute no emudecer do amanhã
os fracassados orgulhosos
à queima-roupa, o cru
os urubus voando
fermentados com a visão bitolada
dando voos rasantes como um supersônico
nazista, pregando o genocídio
o pueril ferrão da lágrima
escorre dos olhos
num infinito pesadelo
com os olhos abertos
a escravidão é um ato inacabado
perto de uma fronteira
a busca do infinito

23 de nov. de 2010

formas de apagar
um coração chorando
mas eu estou vivendo,
fique esperta
não me perca de vista
pra estremecer
confesso, meio sonho
meio minha, olhando a volta

Bis{ mas eu vou vivendo

pondo o recompondo
com novas atitudes
cheias da lua, cercado por ela
das boas luzes
e a lua não desliga

Bis{ mas eu vou vivendo

19 de nov. de 2010

mais ou menos fim sem acabar

Porra de contato imediato
que não estoura o coração de verdade
Simplesmente briga em todos os idiomas
e vai perturbando
Pondo o mais esquisito
sentimento
fora
Do alcance em suspiro remoto
complicado bem oblíquo
Expressando um termômetro
em erupção
Sem o medo de ter dor e dó
Ré sem andar pra trás
porque flerte e inerte
não dá pra ficar
O atalho atado, grande problema
Pessoas pró
uns nem falam
E o papel, um rabisco
só pra se ler
Talvez mais que isso
coisas
de um menor mal
Cada um na sua
devorando
o que não se permite
E um pedaço do tempo voa

porta da mente

a escura caminhada
pro esgotado tato
da mente
as públicas ironias
debochadas em suas agonias,
rebeldes num pedaço
perdidos na não-aflição
atrás da porta
porque não tem porta

12 de nov. de 2010

LIS

Perdão
A coisa horrenda
O não descompromissado
Assado no existir
Fala sim a todas as coisas
Porque tem coisas
Aos afoitos damos um jeito
As mulheres perdidas
Amamos outra vez
Os loucos estão no hospício
Deflagrando a epidemia
Lírica é a questão
Que bate na porta
Porque tem vida
E cor
Chamas e caras
Como todos os vivos

6 de nov. de 2010

pirados acadêmicos

Somos lixos na transição
Perdidos desejos do não
Porque lugar não brotou
A rosa da sua morte
O perfume da indecência
Pirados acadêmicos
Da escola da vida
descobrindo o mundo psicodélico
No encontrar
Do nada
A visão mais crítica da tela
O absurdo

el-cocô

El-cocô, agora

Sempre el-cocô

El Salvador Dalí

Dacolá, qualquer

putero da literatura

o putero da literatura é a casa da tia

onde todo dia leva pica o dia inteiro

homens vão pra cama com vacas e dama

a literatura é escrita no banheiro

enquanto um caga o outro limpa o putero

a mordida vai no seio e a outra mão no meio

o putero da literatura é um local de inspiração

quando um respira o outro está em ação

o putero da literatura não para

um mete e o outro limpa a cara

o coito nas segundas é mais barato

se a foda for em um minuto, paga no ato

lá só tem gente boa

e todo dia rola rôla



29 de out. de 2010

pra que um instante

pra não parar e entender
aqui uma coisa bem pedra
e difícil de quebrar
como se algo acontecesse
e liquidar qualquer emoção
uma vida exata
apesar desatinado com radar
trocado sem álcool e piedade
bem ainda um mundo
cheio de gente

25 de out. de 2010

???

a que tudo presta, indagações
do errado
do não entendido de certas
pessoas
de certos horrores e de algumas
cabeças
onde pode, de várias expressões
julgar
mas compreender, depende

16 de out. de 2010

grãos

Os grãos registrados no paraíso
vivem de alegoria
Somam ideias de ancestrais
Com pedestais na sala
No jeito e no disfarçado
horário da madrugada,
quando o sino estala
A calada noite repõe o sonho
Acorda a gente
Mas o rótulo não é mais o mesmo
assim, perto das raras vezes
O último destaque é uma fotografia
Cheia de grafias rabiscadas
Porque o papel,
o script
E o eu
Tudo é uma questão de representar